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 Romance: Cabaré para menores

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hugosalomao
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MensagemAssunto: Romance: Cabaré para menores   Qua Jun 01, 2011 9:37 pm

O Mistério do Peixe

Humberto seria o primeiro, esta era uma posição de honra. O outros três garotos esperavam jogando cartas na sala de entrada.
Poderia dizer que Tito, o peixinho de espécie desconhecida que nadava tranquilo no aquário sobre a estante, ganharia aquele jogo. Os três jovens, estudantes do segundo grau do ensino médio da escola Santa Edwiges, estavam em alguma outra dimensão, seus espíritos tremiam diante de um universo de possibilidades e novidades que viriam em alguns minutos.
Costumava ser assim no cabaré para menores.

- x -

Humberto demorou demais, mas de certa forma isto não incomodou os outros três da sala, que por sinal tinham nomes, João José, Everaldo e Fernando; Jojô, Pau-do-Índio e Pikachu.
Jojô era o mais velho dos três, ou melhor, dos quatro. Vinha de outra escola, onde havia reprovado duas vezes, era, o mais amigo de Humberto, o motivador da visita e provavelmente o próximo a entrar. Tinha protótipos de bigode e barba, que ostentava com um orgulho latino, quase um che-guevara. Tinha espírito inquieto e revoltado, gostava de dizer não ao que diziam a ele, e quase sempre exalava um odor característico de um desodorante não suficiente.
Seu pai, caro leitor, diria que Jojô era um exímio rebelde sem causa, revolucionário de faz-de-conta, maconheiro, vagabundo e que não presta. Todavia, ele, Jojô, seria o próximo.
- Ei, ei, imagina aew a profa Júlia aqui hein? Aqueles peitos...
- é... é..... - dizia Everaldo como quem quer mudar de assunto.
- - Pikachu ria sozinho.
- Eita puta gostosa... - continuava Jojô passando a mão pela barriga
Pikachu gostava de videogames e outras coisas japonesas, como ficar calado, só olhando.
- Não entendi a piada do peixe – muda de assunto Everaldo
- Nem eu – completa Jojô
- Talvez não seja uma piada – pia o terceiro com um olhar estranhamente interessado pelo peixe exótico.
Humberto fazia o terceiro grau, passando ou não no vestibular iria embora, havia descoberto o cabaré assim que entrou para o ensino médio da S.E., como chamavam a escola. E claro que este lugar era um segredo, que era passado de aluno em aluno, sempre de forma extremamente seletiva. Mas para Humberto não importava mais, iria embora mesmo. Havia aberto o jogo para Jojô, e este insistiu em ir e levar uns amigos que segundo ele, precisariam muito.
- Não sei se lá é um lugar que pode ser chamado de cabaré. – dizia Humberto a Jojô no dia anterior.
- Não importa do que é chamado. - Ria o outro.
- Gostaria que você respeitasse mais um pouco, tenho muita estima pela Ana e suas meninas...
- Tudo bem... - Consentia Jojô.
- Lembre-se que é importante que ninguém fique sabendo de lá, por que se não elas terão problemas, e nós... - Difícil descrever a sutileza na forma com a qual a mão de Humberto alcança o ombro de Jojô num segundo de silêncio - …você sabe bem.
- Tudo bem! Eu já disse!
- Então lembre-se, não sei bem por que ela faz isso, mas quando entrar lá ela vai convidar pra tomar um café, você deverá se mostrar interessado pelo Tito, o peixe que fica sobre a estante, ela dirá: “Você não deve perguntar de onde veio o peixe”, então você responderá: “Claro, ele só pode ter vindo da água”, ou alguma coisa desse tipo, logo então, se estiver tudo bem, ela dirá: “Mas ele tem um nome, Tito”.
- Aí é só correr pro abraço!
- Você me lembra o idiota do Gustavo...
- Quem era Gustavo?
- Um idiota.
Naquele dia os quatro resolveram não assistir aula, foram ao cabaré neste horário. Contudo já fazia uma hora que Humberto havia entrado, lá dentro reinava um silêncio que nenhum dos garotos ousaria interromper. Talvez Jojô tenha sido o único que tenha pensado nisso.
- Pau-do-índio você será o último. – Decreta Jojô.
- Por quê? - Estranha Everaldo.
- Se Humberto que é calminho tá demorando desse tanto imagina você que vive de pau duro! Indhão!
- Oras... - De vez em quando era verdade que ele estava ereto, esta era uma delas, e ele estava constrangido.
- Pobre de Pikachu, morreria virgem!
- Jure por sua mãe que você não é também Jojô! - Desafia Everaldo sem perceber que estava revelando as cartas que possuía na mão.
- Minha mãe é uma idiota alienada que vive assistindo novela! - responde em tom de desprezo.
- Jure!... - Insiste.
- Você está mostrando suas cartas. - Revela Jojô
- Merda!
- Rsrsrsrs... - Ri Pikachu.
- Que foi? - Perguntam Jojô e Everaldo, quase em coro, e de mau-humor depois da discussão.
- Acho que entendi a do peixe.
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hugosalomao
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MensagemAssunto: Santa Edwiges   Dom Jun 05, 2011 2:24 pm

Santa Edwiges

No colégio Santa Edwiges, S. E. para os íntimos, nem todos os alunos eram iguais, haviam os que eram meninos, e os que eram meninas; haviam os que faziam ensino médio, e os que faziam o fundamental; se olhasse bem poderia até enxergar alguns mais.
Mas todos estavam de farda, todos entravam e saíam na mesma hora, e, disciplina e dedicação eram os d's que saíam dos dedos da diretora quando alguém fugia à regra.
O pior de tudo eram as aulas, havia uma autoridade, em pé, que passava cerca de 50 minutos, se tivesse sorte, professando algumas verdades, e mentiras científicas. Frente ao mestre e à lousa organizavam-se, militarmente, cerca de 40 carteiras, e quarenta alunos. Eram cerca de 6 aulas por dia em 5 dias na semana.
Estes mestres tinham algo em comum, eles não usavam fardas, podiam transpor em suas fisionomias as suas personalidades, que soavam aos coletivos como se fossem as únicas. Muitos eram até simpáticos e compreensivos, algumas vezes carinhosos e atenciosos, mas todos eram escolhidos a dedo, dedos da disciplina e dedicação, que, felizmente, às vezes, erravam a direção.
Os alunos como disse, não conseguiam ser tão iguais. Para eles a escola organizava um excelente método de controle de qualidade.
Haviam avaliações com notas, e ameaças de reprovação. Eram provas, trabalhos e deveres de casa, exercícios de sala de aula, que para a justiça e necessidade do local eram feitos sob medida e cuidado para cada categoria de estudantes criada pela escola. As categorias básicas seguiam um padrão nacional, dividia-se inicialmente em ensino médio e fundamental, e estas dividiam-se em 'anos' ou 'séries' a partir de critérios de idade e capacidade de enquadrar-se na devida rotina de atividades.
Basicamente, as provas e testes resumiam-se a questionários ou problemas, semelhantes, empregados pelos docentes a cada aluno de uma categoria, de forma que avaliavam-se todos, individualmente, a partir de um padrão normativo. Estas avaliações eram traduzidas em notas, as quais eram comparadas à uma média desejada, e a partir deste comparativo era estabelecido o valor do aluno nas atividades da escola e seu lugar em sua categoria. Os que não eram capazes de pensar como os colegas no momento de resolver as avaliações eram caridosamente acompanhados até que conseguissem normatizar parte suficiente de sua inteligência, ou então não avançavam a categoria como era de praxe nos fim de ano, isto era geralmente entendido como uma vergonha ou humilhação para o discente.
Desta forma construía-se um conceito, um pensamento, uma ideia que se autopropagava e engolia as nuances de cada ser que ali vivia. Naquele espaço eram identificados pelo nome, seguido de sua categoria, se preciso. Eram Eduardo do segundo ano do ensino médio, ou Maria do sétimo ano do ensino fundamental.
Curioso, mas não surpreendente, observar que muitos dos ditos alunos ( a~lumnos, sem-luz, desiluminados), não frequentavam aquele lugar por livre arbítrio. Para eles a escola cuidava de um eficaz método de regulação, através do qual estabeleciam padrões de comportamento, como hora de chegada, saída, intervalo para descanso, alimentação, e etiqueta. Os indivíduos que escapassem a algum destes padrões eram punidos com advertências, suspensões, ou enfim, expulsão, a partir de critérios de gravidade de delito e histórico.
Assim para os que viviam sob estes mecanismos claros de opressão não havia muita saída a não ser criar mecanismos básicos de defesa, procurar algo com que pudessem se identificar, agregavam suas personalidades a alguma atividade escolar, como xadrez ou futebol, ou matemática, muitas vezes se identificavam com um ou outro professor. Enfim criavam um microcosmo naquele lugar.

Não sei se lá é um lugar que pode ser chamado de cabaré.
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