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 Transtorno emocional

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AutorMensagem
Maria Madalena



Mensagens : 6
Data de inscrição : 24/04/2010
Idade : 25

MensagemAssunto: Transtorno emocional   Dom Out 30, 2011 9:02 pm

Deitara.
Entrei no quarto.
Na expressão, aquela inexpressividade que se tornara tão sua, após tempos. Os olhos entreabertos e molhados fitavam a cor desbotada de uma camisa qualquer, boca e nariz avermelhados, pareciam sussurra-me algo, que meus ouvidos não interpretaram.
Ao me aproximar sentei na cama, ela por sua vez, voltou o olhar lentamente e disse que meus pensamentos se tinham tornado instrumentais. Isso me fez estagnar, argumentei que não, que todas as minhas funcionalidades estavam para sentir sua presença em mim.
Toda uma teorização científica expressei, a fim de defesa, constatação, aceitação, em vão.
Magoou-me, como nunca tivera feito outrora, comentou sobre o passado, esse onde ainda não há conhecera, tornou intrigas, palavras professadas sem a menor intenção de compreensão ou rompimento de uma relação, apenas expressar o impulso de momento que lhe tinha dominado. Percebi naquele instante que algo acontecia. Revelou desejos ainda não externados do meu eu, mas, escondidos num vigor propriamente masculino, como ela poderia saber?- pensei.
Recuei. De súbito fui surpreendido, mudando, com gestos ligeiros pus-me de pé. Pude perceber quão insuficiente tivera sido nesses momentos aos quais comentei ou deixei transparecer segredos.
Não, de fato não sabia do que falava, notei a insegurança naqueles olhos incandescentes, olhos que continuamente esculpiam uma fina imagem em dura rocha, e se, por ventura tivesse plena certeza, passivamente não o faria.
Por instantes me deixei levar por devaneios, não era ausente em meus pensamentos manter segredo do desconforto dos últimos meses, foi rápido, momentâneo, veloz, em pouco tempo tive que mudar hábitos, comportamentos. A priori estivesse preparado – continuei culpando o tempo, por ser arrebatador tal qual o vento do leste.
Paralelamente minha senhorita ainda retrucava, sua voz ecoava longínqua no vazio do cômodo quadrangular ao qual nos encontrávamos, e tornando meus pensamentos aquele lugar, senti o peso em suas últimas palavras:
“-... vendo isso penso que assim não sou capaz de continuar, você está muito estranho, perdemos o brilho inicial, discutimos por tudo, quase sempre por bobagem. Você quer terminar? Eu não sei, sinceramente não sei” snif,snif.
As lágrimas regavam cada vez mais o seu rostinho infanto-juvenil de mulher insegura, cena comum ao retomarmos nosso relacionamento e tocarmos em tais assuntos, averiguei também que esses magoavam profundamente aquela alma. Tentei aproximar meus dedos para que com um simples toque pudesse reter o choro que parecia se inconsolável, fui barrado com um gesto feroz de negação.
Em face, mudei o semblante novamente, agora preocupado e tenso, não sei ou certo, mas, nela algo ainda me prende. Não sei se é seu corpo, que há pouco tempo tenho por completo, em curvas e formas arredondadas, que na minha exposição ainda é um motivo para essa ruborizar a faceta, ou se atitudes maternas com doce candura de preocupar-se com os arredores ou se ainda a maneira espontânea de agir ou falar o que pensa, como uma criança que acaba de fazer uma descoberta que considera fantástica, sem calcular palavras proferidas.
Perde-la? Nessa certeza uma incerteza duvidosa. Como? Em que estou pensando? Não, não pode ser assim, pela primeira vez me senti parte com uma mulher, uma parte, parte do todo. Dessa forma não pode ser.
Levantou seriamente da cama, abracei-a, ainda sem saber ao certo o significado da ação, retive palavras, existem momentos que não se tem porque empregar uma gramática qualquer.
Ela ainda soluçava, eu queria isso, eu queria, não, não é isso, eu quero, eu quero sim, eu quero continuar com você, pensei. Segurei aquela pequena pelos ombros, fitei-a e professei em palavras:
- Eu quero. Quero continuar. É isso que eu quero.
E pude sentir seus braços ainda mais fortes no meu corpo, entre respirações ofegantes.
Reconciliação. Afetos, ardor, calor, o fogo das paixões que incendeia os corpos ressequidos de desejos, um para com o outro, suor, sabor, sensações jamais sentidas, sono.
Horas após sublime ato, o toque do pequenino aparelho telefônico por sobre a escrivaninha ao lado, quebra o silêncio da madrugada. Uma chamada do cônjuge, o meu namorado que retornava a cidade.
Como explicar agora tamanha confusão emocional dos últimos meses, restava apenas encarar os fatos, não pude reter não se controla desejos.
Deixei em profundo sono aquele ser que me gera incertezas e nostalgias de sentimento, para encontrar um alguém do meu passado que retornava, e novamente se faz presente em uma vida minha que já não é mais a mesma.
Ele era outro, depois de tanto tempo longe, eu também era outro, e que agora amava, porém, não amava mais um, não mais um, e sim uma, outra, uma mulher.
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