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 As psicoses de Dr. Antunes

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João Barbosa



Mensagens : 67
Data de inscrição : 14/10/2009

MensagemAssunto: As psicoses de Dr. Antunes   Qua Out 14, 2009 10:09 am

As psicoses de Dr. Antunes

- Vamos, conte-me como começou - falou o psicanalista.
- Assim… - gaguejou o paciente, antes de relatar sua terrível história de ataques esquizofrênicos.
O caso era mesmo triste. Encetou um dia a ver moscas voando em frente aos olhos. De princípio só uma; depois duas, três, nuvens inteiras que lhe tapavam a vista por completo. Andava cego, revirando-se todo na tentativa de se livrar dos insetos incômodos. Acabou por descobrir não ser feito de mel ou açúcar e sim que a mente falhava. Procurou um profissional com urgência, pois a impressão da loucura doía muito; os comentários, as chacotas, o afastamento dos amigos.
Ao terminar a primeira resposta do paciente, o psiquiatro lançou-lhe um olhar penetrante, que o fez recuar no divã aveludado.
- Por que veio aqui?
- Ora, porque estou vendo coisas que não existem!
- Tem certeza que é isso que te incomoda?
- Claro!
- Veja bem. Você falou muito no que as pessoas falaram desde que você teve os primeiros acessos - falou o analista examinando as anotações que fizera durante o longo relato. - Parece que seu problema não são as moscas.
- Como assim?
- Você está tendo dificuldade de se aceitar como é; está muito preocupado com a opinião que os outros têm de você. Isso tem de ser enfrentado.
- Como vou fazer isso?
O psicólogo deu um leve sorriso de dentes cerrados e, dois dias depois, o homem não apenas via moscas imaginárias, como também acreditava ser uma delas. Zumbia, pousava sobre as latas de lixo da própria casa e da vizinhança, além de ter desenvolvido um estranho medo de papéis mata-mosca, inseticidas e raquetes elétricas.
A família do lunático ficou estarrecida. Procurava se comunicar com ele, mas o esforço era inútil; cria realmente ser uma mosca. Parecia ter perdido até a capacidade de expressar qualquer coisa, a não ser o zumbido, que saía rouco da sua garganta possante.
Os parentes perceberam que o pobre homem ficara naquele estado logo após a consulta com o clínico. Correram para pedir-lhe explicações:
- Por que toda essa preocupação? - disse ele. - O rapaz está curado! O vi ontem e estava completamente são.
- Não pode estar falando da mesma pessoa - retorquiu a mãe, irritada. - Curado? Tá achando que é mosca!
- Minha senhora, - respondeu suave o psicanalista, pondo a mão no ombro dela - você também tem sofrido com a moléstia que afligia seu filho. Está ligando demais para a impressão que os outros fazem dele e da senhora. Quer se tratar comigo?
A mulher, surpresa, não recusou; acompanhou-o até o a canapé e se estirou. Naquela mesma tarde, já acompanhava o filho nas suas vistorias as latas de lixo da vizinhança.
O marido, revoltado com o fato de ter uma mulher e um filho fazendo “zzzzzzzzz” o dia inteiro, armou-se e voou para o consultório, a fim de forçar o psiquiatra a curar os dois. Ao vê-lo, laçou-se sobre ele com o revólver em punho, segurou-o pela gola e encostou a arma bem debaixo do queixo:
- Vamos, diga o que fez com minha família! - bradou apertando a gola.
O psicólogo olhou fundo nos olhos do homem, que bufava de ódio:
- Acho que você também precisa da minha ajuda…
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