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 O golpe de Cabral

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AutorMensagem
João Barbosa



Mensagens : 67
Data de inscrição : 14/10/2009

MensagemAssunto: O golpe de Cabral   Seg Nov 02, 2009 11:14 am

O golpe de Cabral

- O capitalismo faz dos meios o fim. Pessoas sonhando com casa, carro, pão. Não é ridículo? Pena que plenamente compreensível. Quem dera fosse só mais uma doença coletiva… Poderíamos nos livrar dela com doses (as) sistemáticas de vacina. Mas não dá; é a realidade fria sobre a qual nos assentamos: as agulhas de nossas seringas não penetram as carnes da sociedade. Então, deixemos que lutem por seus pequenos sonhos. É o jeito, é o que dá. Vão fazer o mais se não têm o menos? Temos de encorajá-los, pois os grandes desígnios se realizam por aqueles de horizontes curtos. Quando conseguirem, hão de sonhar mais e serão como nós, pensarão grande.
- Você é um visionário, Cabral - retorquiu Castanho ao discurso do amigo.
- Andou lendo Lima Barreto, Castanho? - falou Euler aos risos.
- Ah, deixe disso. Vá, vá! Não é verdade? O Cabral sempre andou agarrado com suas quimeras de igualdade social. Não lembra os tempos da faculdade? Marx, Bakunin, Boff; os sabia de cor, e repeti sua tese toda a quem quisesse ouvir, coisa que ninguém queria.
- Não posso? Por acaso é errado almejar um mundo melhor?
- Claro que pode, mas deve? Cabral, meu amigo, esse negócio de Dom Quixote não leva a canto nenhum. Esqueceu-se de Nietzsche?
- Esse não passa de um mentiroso! Seleção natural… HA - HA - HA. Filosofar para vocês é a arte de buscar desculpas para sua acomodação.
- Desculpas? Certo, certo… Melhor inventar desculpas do que proclamar ideais da boca pra fora. O que você tem feito pela sua “revolução”, Cabral?
- É, - começou depois de uma pausa - posso estar parado agora, mas nem sempre foi assim; até um golpe já tentei contra o governo.
- Ah, Cabral! - exclamou Euler.
- Sério, foi nos anos noventa.
- Então conte - Castanho se ajeitava na cadeira para ouvir melhor a história.
- Como já disse, foi nos anos noventa. As coisas haviam esfriado por aqui, as televisões pipocavam nas casas e, como você fez questão de lembrar Castanho, as pessoas não escutavam mais a voz da razão.
- Pretensioso…
- Que eu seja. Continuando: apesar do momento desfavorável, nem tudo se havia perdido: alguns ainda eram capazes de discernir o que se expunha aos seus olhos. Lembram do Oscélio?
- O vesgo? - perguntou Euler.
- Sim, esse mesmo, embora eu não me recorde desse estrabismo que vocês insistem em lhe delegar. Oscélio foi o primeiro a aderir ao movimento…
- E agora já é movimento?
- Me deixe contar! - tossiu e retomou: era movimento sim, o Movimento Anarquista 1º de Maio (éramos mais proletários na época). Depois de nós dois, mais três aderiram à luta: o Antônio, o Gonzaga e o Raul.
- O Raul Seixas? - Euler insistia na zombaria.
- Não, piadista. O Raul da Topografia; os outros estudavam Física no segundo pavilhão.
- Nós estudávamos no oitavo pavilhão. Como você os conheceu?
- Isso não importa. Sei que nós cinco arquitetamos um plano audacioso para desestabilizar o governo e causar um levante popular de proporções nunca antes vistas neste país: mataríamos o presidente.
- Cabral!
- Verdade. Passamos meses num diligente trabalho revolucionário, contatando os líderes dos mais diversos movimentos de libertação da América do Sul. Falamos até com as FARC! Estava tudo pronto, só bastava que matássemos o presidente, então todos se levantariam de uma só vez. Seria fantástico!
- E por que não foi?
- O assassinato não deu certo. O Raul era um traidor! Nos entregou e a repressão caiu em cima.
- Repressão Cabral…?
- Você acha que isso é só coisa da ditadura? Não! O tempo passou, mas práticas ainda são as mesmas: cassetete nas costas, tortura, deportação e morte. O Oscélio mesmo foi deportado.
- Ele não tinha ido morar com a tia?
- Foi o que eles contaram.
- E por que você não disse a verdade pra todo mundo?
- Eu estava com medo na época. Minha namorada ficava dizendo que eu ia acabar morrendo por fazer essas coisas. E chorava, chorava. Fiquei com medo.
- E os outros; o que aconteceu com eles?
- Antônio e Gonzaga foram mortos.
- Não ouvi falar de nenhum aluno da faculdade assassinado - objetou Castanho, incrédulo.
- Pra você ver: nem a universidade escapa do controle deles…
Cabral bebeu o último gole de seu copo de uísque, satisfeito com sua habilidade como novelista.
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hugosalomao
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MensagemAssunto: kkkkkkkkkkkk   Seg Nov 02, 2009 10:31 pm

não são contos, são parábolas! viva jesus!
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