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O Ócio Produtivo
 
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 Imortalidade ou Eternidade

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Augusto Pessoa

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Mensagens : 23
Data de inscrição : 20/11/2009

MensagemAssunto: Imortalidade ou Eternidade   Sex Nov 20, 2009 10:48 pm

Sempre me encantei com a humanidade e sua mortalidade
esqueci que também tenho medo de morrer...

Esqueço que sou imortal, uma vez que vampiro. As memórias das vidas que absorvi me fazem sentir o quão fugaz é existência. Não me vale nada estar para sempre no escuro platônico do mausoléu, absorvendo as sombras da civilização em epitáfios e flores e velas, quero mais o sangue das virgens e dos homens de poder, quero mais a Eternidade que a própria Imortalidade!

Vampiro sou e me orgulho de ser em meu poder. Não é lá muita cousa se comparo com as feras e com os feiticeiros que rodeiam o underground, ser vampiro significa ser mutante, sentir nas veias um sangue que não é seu, absorver essência alheia e crescer com ela, tornar-se mais poderoso a cada gota nova de conhecimento e sabedoria que brota do pescoço de todo e qualquer humano. Saber matar, para saber viver para sempre...

Ainda pouco conheço das novas tecnologias, mas já as sinto em importância. Aproveito-me desta sociedade poética para construir um sonho novo, a cada história que contarei habitará o segredo da vida de alguém que absorvi. Então espero, caro leitor, que deleite-se e também absorva um pouco dessas vidas compartilhadas, sede um pouco vampiro e beba um pouco de meu sangue, para que teu corpo me esquente, me dê vida, eterna
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Augusto Pessoa

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MensagemAssunto: Felipe, O Navegador   Qua Nov 25, 2009 11:44 pm

Meados do Século XV, meu navio havia naufragado no mediterrâneo, estava dado à sorte segurado a meu baú, que apesar do peso ainda boiava e me sustentava sobre as águas quentes do início de uma noite de verão...

Um bote se aproxima, com um homem dentro:
- Ou você ou o baú? - Desafiou-me com um sorriso largo.

A Vontade que tive de início foi de devorar esse bossal e tomar o bote, salvando a mim e ao baú...

Você deve estar se perguntando se vampiro morre afogado, ou de sede, ou na luz do sol... não sei... hilário, não é mesmo? Bem, afogado sei que não morro, pois sei que meu corpo está morto e não preciso de ar. Quando passo muito tempo sem me alimentar me sinto mais fraco, mais velho, mas nunca ouvi falar de um vampiro que tenha morrido disso, e nunca passei mais de um mês sem uma caçada, o sangue é mais um vício que uma necessidade. Quanto à luz do sol dizem os mais velhos que uma mínima gota de luz seria suficiente para fazer-nos desaparecer desse mundo, se é verdade também não sei, quem sabe um dia eu tenha coragem de verificar, ou conheça alguém que tenha.

... mas logo senti algo a mais em sua audácia, tive então a certeza de que antes de devorá-lo deveria saber um pouco melhor sobre sua procedência. É preciso saber bem do que estamos nos alimentando, somos o que comemos, literalmente.

- O baú - respondi.
Ele iniciou a ir embora.
- Não vais levar meu baú?
- Não, de nada ele me vale...
- Você ao menos sabe o que tem aqui dentro?...
- Aqui há ouro e jóias, - continuei - há vestimentas e perfumes nobres, além de poesias...
- Você tem certeza?
- Quer conferir?
- Você tem certeza que prefere que eu salve seu baú?
Ele era um desses caras frios e sinceros, falar a verdade parece-me sempre ser o caminho mais interessante com esse tipo... :
- Na verdade não, estava apenas a sondar-te...
- Então és deveras um vampiro? Não temes a morte como um filho de Deus?
Tive medo que ele fosse embora, calei.
- Sobe - Pediu ele.

Realmente o bote não aguentaria o peso do baú a mais. Como aquele cara viveria no meio do mar com apenas um bote tão simples?
- Qual o seu nome?
- Sou Felipe
- Como você vive no meio do mar com apenas um bote tão simples?
- Além do bote tenho milhões de litros de água salgada, milhares e milhares de peixes, ar e vento, tenho o mundo e tenho também um remo...

Passamos um bom tempo em silêncio, e sem que eu tivesse percebido meu baú havia ficado para trás não sei em qual direção, pus-me a chorar escondido, lá havia tudo que remontava ao tempo que era mortal, lá eu guardava cartas e livros, poesias que havia escrito quando ainda me batia um coração, eu as lia todas as noites, lembrava que um dia havido sido um filho de Deus, lembrava que amava, e então comecei a achar que nunca mais amaria, que nunca mais seria bom, tive medo de me tornar um demônio, na água do mar não consegui ver meu reflexo, estava aos cacos, como uma criança mimada que se perde dos pais...

E aquele homem? Que diabos seria ele? Como viveria assim? Sem raizes, sem amores? Aquilo era demais pra mim, tive medo dele logo então. Era ele o monstro, era ele o todo poderoso.

- Não tens medo que eu te devore aqui no meio do nada? - tentei desesperadamente esconder minha fraqueza.
- Você muito provavelmente nada sabe desse mar, muito menos navegar, vejo com que estranheza olhas minha casa, precisas de mim para chegar a terra firme...

Humanos, tão prepotentes, numa fração de segundo consolei-me com sua pequenez, ele nada sabia sobre vampiros, ri por dentro. Mas, algo ainda me angustiava, pesava-me a alma, fazendo com que o vício diabólico me pertubasse, o sangue era o prazer com o qual eu esquecia minhas tolices:
- Nós vampiros, quando nos alimentamos adquirimos todas as experiências vividas por nossas vítimas, esse é o segredo de nossa força e superioridade, com teu sangue saberei tanto quanto e um pouco mais que você sobre esse mar, e quais águas me levarão ao meu lar, estás condenado a me servir de alimento, diga adeus à sua vida!
- Não há do que eu me despedir - E repetiu o sorriso largo de quando o encontrei, qual carrego comigo até os dias de hoje, foi com este sorriso que comecei a escrever aqui. Por isso escolhi esta história como primeira de minha vida. Ele pareceu muito mais velho que eu, a idade de seus olhos não cabia no seu corpo.
- Leve-me contigo nesta viagem! - continuou.

No momento não entendi o que ele quis dizer, sequei seu corpo em questão de segundos, não tenho como explicar o sabor daquele sangue, carregava consigo não só imagens do passado, como imagens do futuro, sonhos, não sabia que eu seria capaz de roubar desejos. Não soubera que ali fora eu que morrera.
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Augusto Pessoa

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MensagemAssunto: O Menino e A Montanha   Seg Abr 19, 2010 10:03 pm

Vagava pelas terras do que hoje chamam Israel,

foi no tempo que eu investigava sobre o que é ser um vampiro, estava a caminho do Egito, numa tempestade minha pequena embarcação virou. O mar me levou à Terra Sagrada.
Lá, depois de dias perdido, encontrei uma caravana de mulçumanos que rumavam para o mesmo Egito, não foram muito simpáticos, acredito que sentiram o sangue morto em minhas veias... Mesmo assim segui-os, furtivamente. Não demorou para que eles acreditassem que eu estava longe, e começaram a contar sobre vampiros e bruxos perversos. Falaram de Drácula e outras histórias; falaram de minha palidez, da falta de brilho nos meus olhos, da falta de amor nas minhas palavras, do excesso de paixão nos meus gestos. Me senti um objeto, é assim que me sinto quando alguém sabe mais de mim do que eu próprio, eles viram minha alma tão claramente? Depois desse dia nunca mais empalideci, trago hoje o olhar lacrimoso.
Eram cerca de dez, cada um com um animal de carga, um homem bem mais velho seguia no meio,puxando um burro magro, parecia ser o líder, ou mestre da trupe, vestia-se com roupas mais humildes mas trazia muito ouro, braceletas e anéis, sua carga trilintava nos repiques da besta. E foi este mesmo que com um suspiro calou o entusiasmo dos mais jovens que já trocavam contos de terror, seu suspiro se prolonga em um sinal para que seu burro estacione, reparei que seu burro não se tratava apenas do quadrúpede que ajudava-o, toda a caravana parou.
- Devemos cortar caminho pela direita! - disse ele, que parecia se chamar Abud. Sua voz era forte e negra, revelando uma alma de guerreiro.

Saíram da estrada, entraram numa mata arbustiva num silêncio sagrado, como se alguém os seguisse. Eu os seguia, e tive medo, sabia que o povo árabe era mestre em emboscadas, todos portavam cimitarras, ficavam junto à sela de seus respectivos animais. Não demorou para que alguém perguntasse a causa da mudança, ao que o velho respondeu, em sussuros, que na montanha que nos aproximávamos ermitava um demônio antigo, um garoto vampiro, amaldiçoado pelo próprio Alah. Esta foi minha deixa. Segui para a montanha.

...

A Montanha não era mais que um serrote avantajado, sua altitude e virgindade permitia uma vegetação mais fechada. Caminhei alguma horas, mais outras, terminei a sentar-me numa pedra e matutar se teria sido percebido e despistado pelo velho, teria sido ele tão astuto? Devia ter matado todos quando tive oportunidade. E meus botões se chatearam quando nossa conversa foi interrompida por gritos infantis.
- Heia! Heia! - e gargalhava como fosse a pessoa mais feliz do mundo. Me aproximei, era um garoto belo, trazia no corpo feições únicas, não conseguia distinguí-lo entre eslavo ou norte-africano, antigo devia ser, mas de demônio não tinha nada. Brincava com uma espada fictícia, lutava contra um inimigo fictício, tinha alegrias fictícias como toda criança. Sua puerícia tocou-me a alma, lembrei da minha infância, de todo o feliz que vivera, todas as pessoas que me amavam. Por que tão doce garoto brincava sozinho? Ah, já que eu viveria para sempre, que fosse como criança. peguei um pedaço de pau e saltei em sua frente:
- Heia! - Com um sorriso a ponto de engolir as orelhas.
Foi então que tudo mudou, quando me viu ele começou a gritar, chorou, chamou pela mãe, chamou pelo pai, quis morrer, seu corpo caiu a se contorcer pelo chão, todos seus músculos se contraíam como se tivesse caimbra por todo corpo, suas mãos ora arracavam-lhe os cabelos ora tentavam arrancar a pele do seu corpo. O surto é interrompido por outro surto, ele de repente para e se levanta, seu rosto, de tão contorcido estava distorcido. Trazia nos olhos o ódio primogênito, trazia na boca as presas, Tanatos, vampiro. - Demônio, Maldito seja! - estava tão paralisado e entorpecido que essas palavras chegaram a doer na minha boca, me cortando de um transe e me mandando fugir. Já no chão meus membros rolavam sobre pequenas pedras, como se Deus ou Alah não quisesse que eu me erguesse, lutasse ou fugisse. Ele aproxima e se lança sobre mim, com uma mão aperta meu rosto, furando meu olho esquerdo, o líquido que me saltou da órbita me fez emitir um grito de horror, o qual só temos a chance de emitir uma vez na vida.
Com as presas arrancou-me metade do pescoço e das vísceras. E quando eu já estava inerte, convencido ser um defunto, ele lançou uma pedra em minha cabeça, matou-me como matara seu irmão.
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